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O retorno do vinil na era digital

  • Foto do escritor: Igor Teles
    Igor Teles
  • 18 de fev.
  • 3 min de leitura

Reportagem por Igor Teles

O vinil, ou LP (Long Play), da forma que conhecemos hoje, foi criado no final da década de 1940 pelo engenheiro húngaro Peter Carl Goldmark, a pedido da Columbia Records. Até a chegada dos CDs, o formato era o principal meio de consumo físico de música. Com a nostalgia e a remasterização de álbuns, o produto voltou a se destacar nos últimos anos. 


O boom e a queda dos vinis


O vinil chegou ao Brasil na década de 1950, mas seu boom aconteceu no final dos anos 70. Em seu auge, as vendas dos discos proporcionaram números estratosféricos para artistas como Xuxa, detentora do título de disco brasileiro mais vendido de todos os tempos pelo "Xou da Xuxa 3" (1988) com 3,8 milhões de cópias.


Artistas internacionais também foram impulsionados pelo vinil no Brasil. O “Rei do Pop”, Michael Jackson, é o dono do disco mais vendido no país com Thriller (1982) que vendeu 3,8 milhões de cópias, seguido por Julio Iglesias com Hey! (1980), vendendo 2,2 milhões.


Nos anos 80, duas novas formas de consumir música impactaram diretamente o mercado do vinil, os CDs e as fitas cassetes. Ambos se destacaram por oferecerem maior portabilidade. Diferentemente do vinil, que necessita de um toca discos para ser executado, os novos formatos poderiam ser ouvidos com maior facilidade através dos famosos discman e walkman.


Com os novos modos de consumo, o declínio das vendas de discos de vinil foi inevitável. Em meados dos anos 90, as gravadoras pararam de produzir os LPs para focar nos CDs e fitas. Com a chegada dos serviços de streaming de música, no final da década de 2000, o vinil — e também os CDs e as fitas — tornou-se, cada vez mais, um item de colecionador.


A volta do vinil na era dos streamings


Segundo dados dos Relatórios de Mercados do Pró-Música Brasil, em 2024, as assinaturas provenientes das plataformas digitais faturaram R$2,077 bilhões —  um aumento de 26,9% na arrecadação comparado a 2023. Mas é justamente através dos streamings que as mídias físicas voltaram a se destacar. Com a remasterização da qualidade sonora de álbuns antigos, surgiu também o interesse deste “novo” material na forma física.


Além das remasterizações, artistas que surgiram durante a queda das mídias físicas começaram a produzir edições especiais em vinil de seus trabalhos. Cantoras como Taylor Swift e Lana Del Rey são grandes destaques em vendas de LP na última década — Taylor, por exemplo, lançou oito variações em vinil do seu último álbum, The Life of A Showgirl (2025).


Com todo esse destaque, o faturamento das vendas dos discos cresceu mais de 2.150% em cinco anos, saltando de R$708 mil em 2019 para R$16 milhões em 2024. Os números demonstram uma mudança de cenário: a partir de 2023, o vinil se tornou o produto mais consumido da categoria, superando os CDs em 120%. Em 2024, o recorde foi ainda maior, com os LPs representando 76,7% do faturamento das vendas físicas, enquanto o CD caiu para 23,0%.

Essa tendência brasileira acompanha o ritmo internacional. O mercado mundial de vinil deve movimentar US$1,73 bilhão em 2026. Segundo a Global Growth Insights, as vendas vão continuar crescendo cerca de 6% ao ano até 2035, mostrando que o disco de vinil veio para ficar.


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