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Aracaju reacende as luzes do cinema e fortalece circuito cultural na capital

  • Foto do escritor: Lenice Ramos
    Lenice Ramos
  • 19 de fev.
  • 3 min de leitura
Reabertura de salas públicas, festivais consolidados e cineclubes independentes impulsionam a formação de público e revitalizam a cena audiovisual sergipana

Por Lenice Ramos


Centro Cultural de Aracaju. Fotos: Secult Aju/PMA
Centro Cultural de Aracaju. Fotos: Secult Aju/PMA

Depois de anos em que as salas de cinema de rua e o circuito audiovisual pareciam apagados na capital sergipana, 2025 e 2026 marcam um renascimento cultural cinematográfico em Aracaju, com o fortalecimento de espaços, festivais nacionais e iniciativas comunitárias que aproximam público, realizadores e diversidade de narrativas.


O Cine Walmir Almeida, que fica na Praça General Valadão, Centro Cultural de Aracaju, reabriu as portas em maio de 2025 após uma ampla revitalização com projeção digital de última geração, sistema de som moderno e assentos escalonados para melhorar a experiência do público. A reforma foi possível com recursos da Lei Paulo Gustavo, em parceria entre Função Cultural, Governo do Estado e a iniciativa privada. 


Segundo a gestora cultural Rosângela Rocha, responsável pela coordenação do cinema no Centro Cultural, a reabertura foi simbólica, “Recupera não só uma sala de projeção, mas a memória cinematográfica de Aracaju, resgatando o rito antigo de ir ao cinema como encontro social e espaço de debate”, avalia.


O Festival que põe Sergipe no mapa do cinema


A cena ganhou impulso com a 24ª edição do Curta-SE – Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe, realizada de 3 a 9 de novembro de 2025 em vários espaços da cidade, como o Teatro Tobias Barreto, Memorial de Sergipe Prof. Jouberto Uchôa e o próprio Cine Walmir Almeida. 


O festival é reconhecido por promover a produção local e internacional. Em 2025, a edição reuniu mais de 590 inscrições de filmes e reforçou seu compromisso com a diversidade cinematográfica, reunindo produções de curta-metragem, vídeos de bolso, videoclipes e debates com realizadores. 


A cineasta Pâmela Peregrino, que teve três curtas selecionados no evento, afirma que “o Curta-SE é uma vitrine essencial para narrativas que dificilmente seriam vistas no circuito comercial, especialmente trabalhos de autor, experimental e de periferias”.


Cineclube e a resistência do cinema de rua


Ao lado da programação oficial dos grandes festivais, movimentos independentes crescem em Aracaju. Um dos destaques recentes é o Cineclube Rua Maruim de Baixo Orçamento, inaugurado em abril de 2025 no Centro Histórico, que promove exibições quinzenais de filmes nacionais de baixo orçamento e rodas de conversa sobre cinema e sociedade.


Idealizado pela produtora cultural Renata Mourão, o cineclube tornou-se ponto de encontro para estudantes, artistas e público geral interessado em discutir a arte cinematográfica para além das estreias comerciais. “Aqui, o cinema é um diálogo”, diz Renata. 


Cinema e formação: diversidade e reflexão


Além das projeções festivas, o Cine Walmir Almeida firmou programação constante com mostras especiais como o Festival de Cinema Italiano e sessões dedicadas ao público infantil e acessível, reforçando o compromisso com a inclusão cultural. 


A professora da Universidade Federal de Sergipe e pesquisadora de audiovisual, Kênia Freitas , destaca que “esse momento representa não apenas exibição, mas formação de público, algo essencial para que o cinema deixe de ser apenas entretenimento e passe a ser um espaço de reflexão crítica e identidade cultural”. 


Memória e futuro: da nostalgia às telas digitais


Aracaju já teve cinemas icônicos que hoje vivem apenas na memória, como o Cine Palace, na Rua João Pessoa, que marcou gerações até os anos 1990, mas o atual movimento cinematográfico mostra que o público ainda busca experiências culturais que vão além dos multiplexes de shopping. 


Para o produtor audiovisual Lupita Silva, “o cinema em Aracaju está reencontrando seu público, ressignificando espaços urbanos e culturais, e abrindo caminhos para cineastas locais terem voz e visibilidade no Brasil e fora dele”. 


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